da Redação DiárioZonaNorte
- A capital possui cerca de 650 mil árvores em área urbana;
- Em 2024 foram plantadas mais de 80 mil árvores; e
- A Prefeitura tem meta de mais 120 mil árvores neste ano.
A queda de mais de 300 árvores em um único dia, durante fortes chuvas recentes na capital paulista, acendeu o alerta sobre a necessidade de monitorar com mais rigor a saúde das espécies urbanas. E, com essas medidas de controle, evitar falta de energia elétrica por dias e desastres com mortes.
Em Guarulhos, a segunda cidade mais populosa do estado, a Prefeitura do município intensificou o uso de aparelhos eletrônicos de precisão que avaliam a resistência mecânica do tronco e detecta cavidades internas, prevenindo acidentes e evitando cortes desnecessários.
A adoção desse método mostra-se eficaz e vem servindo de exemplo para outras cidades, como a própria capital São Paulo, que não utiliza a tecnologia com frequência e que teve experiências em poucas regiões das 32 subprefeituras da cidade, até mesmo por meio de empresas terceirizadas.

Como funciona o diagnóstico
O “penetrógrafo” funciona por meio de pequenos furos no lenho da árvore, gerando informações gráficas capazes de identificar possíveis danos estruturais. A análise não destrutiva é essencial para determinar se uma árvore, embora apresente lesões visíveis, ainda tem condições de suportar ventos e tempestades.
Em Guarulhos, o aparelho está em uso desde 2022 e, por enquanto, apenas uma unidade atende à demanda. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, esse único equipamento tem sido suficiente graças ao planejamento e à priorização de casos de risco iminente.

O processo de investigação começa com uma avaliação visual da copa, da presença de pragas urbanas e do local de plantio. Quando necessário, o “penetrógrafo” é aplicado para obter dados mais precisos.
Em seguida, as informações coletadas são processadas em um software específico, auxiliando na tomada de decisões sobre o melhor manejo: pode ser uma poda preventiva, um tratamento de longo prazo ou, em último caso, a remoção total da árvore.
Apesar de ainda não haver um levantamento estatístico detalhado mês a mês sobre condenações de árvores, a Secretaria de Guarulhos destaca que cerca de dez análises são realizadas por dia, com cada inspeção durando de 20 minutos a algumas horas, dependendo das condições encontradas.
Quatro técnicos habilitados, entre biólogos e engenheiros agrônomos, são responsáveis pelas vistorias em Guarulhos. Segundo eles, o uso do “penetrógrafo” tem sido determinante para evitar cortes precipitados de árvores que ainda apresentam condições de permanecer em pé.
Esse cuidado reflete a preocupação em equilibrar a segurança da população com a preservação ambiental. “Cuidar da saúde das árvores é importante para preservar a vida, o patrimônio e colaborar com a manutenção do equilíbrio do clima do planeta”, afirma Alex Mendes, secretário de Meio Ambiente de Guarulhos.

A situação em São Paulo
Na capital paulista, o serviço foi adotado em pelo menos duas subprefeituras, onde a Prefeitura de São Paulo alugou equipamentos de empresas especializadas. Assim como em Guarulhos, a meta foi de refinar o diagnóstico e garantir que a retirada de uma árvore seja feita somente quando não houver alternativas.
Com as chuvas intensas e a consequente queda de centenas de árvores em São Paulo, a importância do “penetrógrafo” ganhou ainda mais destaque, reforçando a ideia de que a manutenção preventiva é a melhor forma de evitar transtornos e prejuízos.
Em Guarulhos, as solicitações de remoção ou poda devem ser registradas na Rede Fácil de Atendimento ao Cidadão. A equipe técnica avalia cada caso, organizando uma fila de atendimento por ordem de chegada, mas dando prioridade às situações de risco iminente. Em São Paulo, os pedidos da situação das árvores é através do telefone 156.
Segundo os gestores municipais, a adoção do “penetrógrafo” consolida uma política ambiental pautada pela responsabilidade e transparência, ampliando a participação popular na fiscalização e cuidado com as áreas verdes.

Os exemplos em outros locais
Enquanto a previsão de chuvas fortes permanece, o uso dessa tecnologia se mostra cada vez mais relevante. Ao aliar ciência, tecnologia e planejamento, Guarulhos desponta como exemplo na Região Metropolitana de São Paulo, demonstrando que é possível prevenir desastres naturais sem abrir mão da conservação das árvores.
A experiência positiva em Guarulhos tende a inspirar outras cidades a seguirem o mesmo caminho, garantindo a segurança de todos e a manutenção de um ambiente saudável e sustentável. Segundo a empresa PD Instruments, que faz as importações da Alemanha, várias capitais e cidades de outros estados já adquiriram os aparelhos.
Algumas cidades do interior paulista já trabalham há algum tempo com os equipamentos eletrônicos de precisão, como São José dos Campos, Arujá, Iracemápolis, Hortolândia, Guararema, Paraibuna, Taubaté, Jundiaí, Capão Bonito, Campo Limpo Paulista, entre outras. Algumas preferem o aluguel de empresas terceirizadas. Segundo a importadora PD Instrumentos, de Arujá-SP, a compra de um “pentógrafo” sai em torno de R$150 mil e do “tomógrafo”, R$200 mil.

O que diz a Prefeitura de São Paulo
O DiárioZonaNorte consultou a Prefeitura de São Paulo sobre o uso dos equipamentos eletrônicos que através da Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSub) informou que ” a avaliação das árvores em São Paulo é feita por agrônomos e equipes de zeladoria, que identificam sinais fitossanitários e determinam o tipo de poda necessária”.
Segundo a SMSub, atualmente ” 131 equipes atuam na cidade, cada uma com cerca de 10 colaboradores supervisionados por engenheiros agrônomos”. O efetivo cresceu de 239 em 2021 para 394 atualmente. Em 2024, foram podadas 164.021 árvores, um aumento de 39% em relação a 2019.
Apesar de não ter havido divulgação, até o momento, confirmou que a cidade utiliza equipamentos como “penetrógrafo” e “tomógrafo” para avaliação arbórea, contratados via laudos técnicos. Desta forma, informou que as Subprefeituras como Sé, Pinheiros, Lapa e Vila Prudente já fizeram uso desses recursos por meio de empresas terceirizadas.
Disse ainda que estão em desenvolvimento o Protocolo de Avaliação de Risco de Queda de Árvores e o Inventário Arbóreo. E a Prefeitura de São Paulo mantém parcerias com a Universidade Federal de São Paulo – Unifesp (Campus Diadema) e a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) e há cursos de capacitação para técnicos municipais.
Mesmo com as inúmeras e visíveis calçadas quebradas por raízes de árvores inadequadas para os locais, a Prefeitura de São Paulo argumenta que “a escolha das espécies visa evitar danos estruturais”.
E a Prefeitura de São Paulo confirma que a maior cidade da América Latina e mais rica cidade do país possui cerca de 650 mil árvores em área urbana. Em 2024, foram plantadas mais de 80 mil, com meta de 120 mil até o final deste ano. Com tudo isto e mais o plantio planejado, a população aguarda por providências eficientes e soluções inteligentes.
Assista um vídeo demonstrativo da PD Instrumentos — clique na imagem abaixo:
<< Com apoio de informações/fontes: Assessoria de Imprensa-Prefeitura de Guarulhos / PD Instruments –Tania Cristina Castroviejo e SECOM/Prefeitura de São Paulo >>
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