Em novembro de 2024, o custo da cesta básica na cidade de São Paulo alcançou R$ 828,39, o maior valor entre as 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
A alta mensal foi de 2,80%, enquanto no acumulado de 12 meses o aumento chegou a 10,56%. A cesta básica paulistana, composta por 13 itens essenciais, apresentou elevação nos preços de sete produtos, com destaque para o óleo de soja (8,93%), carne bovina de primeira (8,12%) e batata (6,14%).
Apesar de retrações no tomate (-3,61%) e banana (-1,07%), o impacto geral no orçamento familiar foi significativo. Um trabalhador remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.412,00 precisou trabalhar 129 horas e 4 minutos para adquirir a cesta em novembro, acima das 125 horas e 34 minutos exigidas em outubro. Este esforço representou 63,42% do salário mínimo líquido, evidenciando o peso do gasto com alimentação na renda.
Salário mínimo insuficiente
Com base no custo da cesta mais cara do país, o DIEESE calcula mensalmente o valor do salário mínimo necessário para cobrir despesas básicas de uma família de quatro pessoas.
Em novembro de 2024, o valor estimado foi de R$ 6.959,31, cerca de 4,93 vezes o salário mínimo vigente. Essa discrepância reflete o distanciamento entre o poder aquisitivo do trabalhador e os custos reais de vida, que incluem moradia, saúde, transporte, educação e lazer.
Comparação nacional
Embora São Paulo lidere com a cesta básica mais onerosa, outras capitais também registraram aumentos expressivos. Florianópolis (R$ 799,62) e Porto Alegre (R$ 780,71) figuram em segundo e terceiro lugares no ranking de custos.
Já Aracaju (R$ 533,26) apresentou o menor valor, refletindo a composição distinta da cesta nas regiões Norte e Nordeste.
No comparativo de 12 meses, Campo Grande destacou-se com a maior elevação acumulada (14,47%), seguido por Goiânia (12,19%) e Brasília (11,19%). Esses números mostram que a alta de preços não é exclusiva da capital paulista, mas um fenômeno nacional.
Impactos dos preços dos alimentos
Produtos como carne bovina, óleo de soja e café em pó continuam influenciando diretamente a alta da cesta básica. O aumento na carne bovina reflete a alta demanda interna e externa, mesmo com condições climáticas favoráveis à engorda do gado.
Já o óleo de soja, cuja exportação pressionou os preços no mercado interno, apresentou aumentos em todas as capitais pesquisadas.
Por outro lado, itens como tomate e banana sofreram oscilações de preço por fatores sazonais, como o calor, que aumentou a oferta de frutas, e a qualidade baixa do tomate, que limitou sua comercialização.
Perspectivas e desafios
Com a persistência de altas nos custos dos alimentos, especialistas alertam para o impacto prolongado na segurança alimentar das famílias brasileiras. Em São Paulo, onde a alimentação já consome grande parte do orçamento, a situação é agravada pela alta nos preços de outros serviços essenciais.
A escalada do custo de vida reforça a necessidade de políticas públicas que garantam a acessibilidade a alimentos e promovam o equilíbrio entre salários e preços. Sem ajustes estruturais, o descompasso continuará pressionando a classe trabalhadora.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) é uma entidade brasileira que produz pesquisas e estudos para apoiar as demandas dos trabalhadores. Sem fins lucrativos, foi criada e mantida pelo movimento sindical brasileiro em 1955. A entidade é reconhecida pela credibilidade de suas produções e, em algumas localidades, é certificada como de utilidade pública.
<<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa do DIEESE >>
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